Me
espanta que algum terráqueo ainda se espante com o American way of business, o jeitinho americano de fazer da vida – e da morte – sempre um bom negócio. Tem causado polêmica, inclusive entre os sobrinhos do Sam, a inauguração do Museu da Memória em Nova York, erguido em homenagem às vítimas e aos heróis da tragédia que pôs abaixo não só o World Trade Center, como também – e talvez principalmente – o sentimento de invulnerabilidade dos Estados Unidos.

Uma
fofurice de gosto explosivamente duvidoso – o que já rendeu ao local o apelido
de “a pequena loja de horrores”.
A
alcunha é até adequada. Mas a reação global me pareceu um overacting digno dos piores dramalhões hollywoodianos. Uma bomba
atômica em copo d’água. Dessa vez, que o Capitão América não me escute e execute,
os ianques não se superaram. Quando
ouvi falar no projeto desse tal Museu da Memória, lá pelos idos de dois mil e
george bush, imaginei que os imagineers da Grande Maçã fossem mais trekkies – e
pirassem onde nenhum homem, mulher ou klingon jamais pirou.
Cadê
o simulador 10-D para o público experimentar a sensação de se espatifar num dos
edifícios mais altos do planeta? Cadê os fliperamas em que o jogador soma
pontos ao desarmar explosivos, interceptar kamikazes e matar terroristas? Cadê
os cast members vestidos de bombeiros
ou – melhor ainda – de Torres Gêmeas, a postos para fotos com os visitantes?
Cadê os deliciosos cookies, donuts e cupcakes decorados com os nomes das
vítimas? Cadê os fogos de artifício nas cores vermelha, azul e branca para
encerrar o dia no parque com os olhos cheios de glicose?
Que
me perdoem os fãs de Obama e Michelle: mas não se fazem mais disneylândias como
antigamente.