domingo, 20 de janeiro de 2013

O fator Aline

Tinha prometido a mim mesmo não escrever nadica de nada sobre o Big Brother Brasil. Mas o fator Aline me fez mudar de ideia. O jeito desinibido, sem papas na língua, meio Penha – empreguete vivida por Taís Araújo em Cheias de charme – da carioca de 31 anos não agradou a mais de setenta por cento do público, que a defenestrou da casa mais vigiada do Brasil.

Uma pena. A moça saiu cedo do jogo. Sua presença tsunâmica certamente agitaria mais o oceano do reality do que aqueles brothers-marolinhas, náufragos afundados em frases feitas, navegantes que parecem ter como único leme o nhenhenhém do politicamente correto.

No dia seguinte à sua saída do programa, a garota mostrou um pouco do personagem antológico que poderia ter sido. Mais uma vez decidiu esquecer as câmeras e fez o que lhe deu na veneta. No susto. Tirou as calças durante uma entrevista à Ana Maria Braga, no Mais você, para mostrar meia dúzia de marcas roxas nas pernas – resultado, segundo ela, do nervosismo sentido dentro do BBB.

Os olhos da apresentadora arregalaram com a atitude inesperada da moçoila. Ainda estamos no ar? Vamos para um intervalinho comercial! A gente volta já!

A menina causou. Logo o vídeo bombou na internet. Bombou porque saiu do lugar-comum e foi parar na terra da exceção, do extra!-extra!-ordinário, do que foge ao rame-rame diário. Porque abalou as estruturas – mesmo que por segundos – do mundo certinho e roteirizado do Louro José.

Esse blablablá todo é para chegar aqui: como seria bom se outras Alines invadissem territórios mais relevantes do que um show de tevê ou o Youtube.

Se outras Alines berrassem ri-dí-cu-lo na cara dos bambambãs que mal se (re)elegem e aumentam o próprio salário – para não serem obrigados, coitadinhos, a complementar a renda com uma licitação fraudada ou uma obra superfaturada –, enquanto cidadãos são arrastados por correntezas de lixo e soterrados por ondas de destroços: restos de escolas, hospitais, museus e outros itens menos importantes que estádios de Copa do Mundo.

Melhor ainda se outras Alines abaixassem as calças e – por que não – defecassem de vez em quando nos nossos narizinhos anestesiados, tão acostumados com o cheiro do esgoto não tratado, tão acomodados com a sujeira na calçada, que não percebem mais como as ruas, os bairros, as cidades, o país – a nossa vida – podem (e devem) ser bem cuidados.

Que não sentem mais o perfume dos próprios direitos. O aroma da própria dignidade.

Enfim.

Só espero que o adeus prematuro de uma participante tão singular, que de alguma forma incomodou tanta gente, não seja um sinal (péssimo) de que ainda não estamos preparados para aquilo que nos sacode além do planejado. Aquilo que nos arranca do cercadinho. Que nos tira da pasmaceira na qual costumamos viver.

Não, acho que não. Afinal, aquilo é só mais um capítulo de novela mal escrita. Mera atração de circo – dos horrores? – cujas focas amestradas somos nós.

4 comentários:

  1. Mina chata do caralho

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  2. Concordo com tudo o que você falou. Acho também que o povo brasileiro não sabe ouvir a verdade e se a verdade for alguma coisa no pais, elas rejeitam esse histórico de verdade e colocam de baixo do tapete. Também acho como todo mundo que não gosta de BBB, mas essa participante foi a unica que falou a verdade. Se tivéssemos essas pessoas como a Aline nosso pais seria mais verdadeiro e mais aberto pra opiniões.

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    http://rodrigobandasoficial.blogspot.com.br/

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  3. Só tenho uma coisa a dizer, para mim, ela é uma fake, muito forçada por sinal!

    Abraço. =)

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